Como mencionado anteriormente, os seres vivos se relacionam de várias formas para garantir a sua sobrevivência. A interação entre duas espécies pode beneficiar a ambas ou apenas uma. Esta uma pode ou não se beneficiar por prejudicar o outro com quem se relaciona. Animais carnívoros dependem da caça para se alimentar, mas podem entrar em atritos com outros que tem a mesma prática. Para entender cada relação existente na natureza, elas foram estudadas separadamente, conforme analisaremos a seguir.

Comensalismo

Rêmora se beneficiando do tubarão por ser transportado por ele e se aproveitar de restos de comida
2.1
A rêmora se beneficia da relação com o tubarão por ser transportada por ele e aproveitar-se de restos de comida ignorados.

Imagine a seguinte situação: você convida um amigo para ir a sua casa almoçar contigo. Você tem toda a refeição disponível a sua mesa. Sem levar nada, ele simplesmente senta-se ao seu lado e banqueteia-se de sua comida. Quais são os benefícios desta relação? Ele comeu, sentiu-se satisfeito e foi embora. Vemos que apenas uma pessoa foi beneficiada nesta relação que envolvia a comida. O seu amigo não precisou fazer nada para se beneficiar, não ouve uma troca de favores. Podemos designar esta prática como comensalismo, quando apenas um tira vantagem da relação existente.

Isto acontece entre os seres vivos no ecossistema. Duas espécies diferentes podem se relacionar e apenas uma ser beneficiada. Para exemplificar: existe uma espécie de peixe conhecida como rêmora. Na sua cabeça possuem ventosas, que as ajuda a se fixar no corpo de tubarões e serem transportadas por eles. Quando se alimenta, os tubarões desprezam parte da refeição. Estes restos ficam flutuando na água e são aproveitados pelas rêmoras. Vemos assim o comensalismo presente nesta relação. A rêmora se beneficia do tubarão sem prejudicá-lo.

Inquilinismo

2.2 KOCH
Esta bromélia é um exemplo de relação de seres vivos onde existe a prática do inquilinismo, em que a a bromélia (hóspede) vive agarrada no tronco da árvore (hospedeira).

Muitas espécies de aves se beneficiam com as espécies vegetais por fazerem seus alojamentos em galhos ou tronco de árvores. Ali conseguem suporte e proteção para descansar e se reproduzirem. Aves como o joão-de-barro são ótimos profissionais na área da construção. Eles obtêm barro úmido do solo e fazem suas pequenas casas no alto das árvores. Na ecologia, a prática de uma espécie se alojar em outra sem prejudicá-la é chamada de inquilinismo. Uma planta como a orquídea pode se fixar no alto de troncos e galhos de árvores. Algumas espécies dela fazem isso para poder obter boa luminosidade do sol e conseguirem se desenvolver. O inquilinismo pode ser comparado ao comensalismo: em ambas as práticas, apenas um é beneficiado. A diferença é que enquanto no comensalismo certo organismo obtém alimento, no inquilinismo obtém-se suporte, proteção e abrigo.

Mutualismo

Hipopótamo bebendo água enquanto búfago se alimenta de parasitas agarrados ao corpo daquele
2.3 SMITH
Enquanto o hipopótamo está vulnerável, de cabeça abaixada e na superfície terrestre bebendo água, os búfagos ficam sobre o seu corpo para avisar-lhe de possíveis ataques de predadores. Em retribuição à sentinela, o búfalo permite que eles comam os parasitas, os quais alojados, não conseguiria livra-se sozinho.

Mutualismo é a relação entre seres vivos de espécies diferentes em que há uma troca de favores. A exemplo podemos mencionar o caso dos crocodilos com as aves da família dos burinídeos. Os crocodilos às vezes caçam alguns pássaros, mas tolera essas aves por permitir que façam seus ninhos próximos ao ninho deles. Vez por outra, eles se ausentam do ninho para conseguir alimento. Nestas circunstâncias, como fariam para proteger os seus ovos? As aves servem de sentinela. Na aproximação de um predador, esta ave solta gritos de aviso para que o crocodilo volte rapidamente para o ninho. Vemos assim, que enquanto a ave trabalha como sentinela, o crocodilo vive como segurança para ambos os ninhos.

Outro exemplo é o que acontece na áfrica entre o búfalo-africano e o pequeno búfago-do-bico-vermelho. O búfalo pode ter o corpo infestado de carrapatos e pulgas, e sozinho não conseguiria se livrar deles. Para isso ele tem a ajuda dos búfagos, que ficam sobre o corpo dele beliscando sua pele, removendo os organismos indesejáveis. Estes servem de alimento para a pequena ave. Além disso, enquanto o búfalo está distraído, com sua cabeça abaixada se alimentando da vegetação, o búfago serve de vigia para possíveis ataques inimigos, avisando o búfalo por meio de assobios.

Predação

Leão prejudica outro animal que lhe serve de presa
2.4
Leão ataca mortalmente a zebra para alimentar-se.

No Brasil, na região da mata Atlântica, o maior felino dominante é a onça-pintada. Esse animal é temido por outras espécies e é um excelente caçador. Ele geralmente se alimenta de animais como a capivara, a anta, o porco-do-mato e outros que estiverem à disposição. A prática de um indivíduo alimentar-se do outro é conhecido como predação ou predatismo. O animal que se alimenta é chamado de predador e o organismo que serve de alimento é chamado de presa. Quando um animal é carnívoro, o predador elimina a vida de sua presa. Não é o caso de animais herbívoros, em que dificilmente ele mata a o vegetal para poder se alimentar. Nesta relação entre os seres vivos, apenas um é beneficiado.

Parasitismo

O piolho é um exemplo de relação parasitista
2.5 DUQUE
Piolhos são exemplos de parasitas. Se alojam no corpo humano, prejudica-o e retira benefícios para sua sobrevivência.

O parasitismo é a relação entre seres vivos em que um se aloja no corpo do outro para tirar benefícios e sobreviver. Quem nunca viu um animal, como o cachorro ou o gato se coçar por causa de pulgas ou carrapatos? Esses pequenos seres vivos que se alojam no corpo de outro são conhecidos como parasitas, e o organismo que os tem alojado são chamados de hospedeiro. Eles podem se alojar interna ou externamente. Nas pessoas, externamente podem ter alojado como parasitas os piolhos, que ficam na sua cabeça ou os mosquitos que pousam em alguma parte da pele e obtém para si o sangue; e internamente, no estômago, os vermes. A diferença entre o parasitismo e a predação, é que os parasitas são bem menores comparados ao tamanho do individuo prejudicado e quase nunca o mata, já os predadores, na maioria dos casos, são maiores que suas presas e causam sérios danos, matando-os.

Competição

Leão e hiena disputam alimento
2.6
Por terem nincho ecológico parecidos, leão e hiena podem lutar entre si para proteger território e alimento. Ambas tentam garantir a sua sobrevivência.

A competição é a relação entre os seres vivos de mesma espécie ou espécies diferentes que lutam, disputam ou buscam algo de seu interesse. Na maioria dos casos, lutam por alimento para a sua sobrevivência. Podemos lembrar-nos das espécies que tem nincho ecológico parecidos. Aves podem brigar entre si para obter algumas frutas disponíveis nas árvores. Hienas e leões podem lutar para obter ou manter seu território. Entre animais de mesma espécie pode haver disputas para conseguir acasalar com a fêmea.

A competição por alimento pode acontecer devido a escassez deste. O problema de tal relação, é que mesmo que um saia vencedor, sem precisar matar seu adversário, ambos sofrem com o desgaste e podem ficar mortalmente feridos, o que prejudicaria ainda mais a sua rotina para a sobrevivência.