Aula 11 - Sinais icônicos

Neste tutorial você aprenderá sobre a origem icônica de alguns sinais.

Por que é importante

Os sinais icônicos são mais fáceis de serem memorizados do que os que contêm outras arbitrariedades. Isso se dá pelas características que o ajuda a lembrar-se de algo concreto.

Desenho de um dálmata

É um cachorro o que acabou de ver? Se você me responder que “sim” direi que está louco(a), porque não tem nenhum cachorro dentro desta página eletrônica. É um desenho de um cachorro? Próximo disso, mas não é um desenho de um cachorro. Posso afirmar que é a cópia digital do desenho da foto de um cachorro. Mais louco do que dar esta reposta técnica que acabou de ler é o seu cérebro dizer que não é um cachorro. Esforcei-me para desenhar um filhote, mas acabou saindo um com aparência adulta.

Enfim, o lado direito do seu cérebro, segundo afirmação científica, é onde ficam localizadas as informações visuais. A resposta técnica que lhe dei se encontra no hemisfério esquerdo. Qual lado do cérebro você mais usa, o esquerdo ou o direito? Depende da resposta a pergunta que te fiz no parágrafo acima, você pode saber por costume qual lado mais utiliza.

Ao ver um desenho como este, as pessoas o associam a algo real e concreto. E é esta a idéia que tentei transmitir. Elas fluem espontaneamente pelo lado direito do cérebro que manda uma resposta imediata para o lado esquerdo, sendo você induzido a dar-me uma resposta que não significa realmente aquilo que vê. Poderá me responder obedecendo aos sentidos, mas talvez o que alguns esperam são respostas relacionadas a conceitos.

Vou ser um pouco mais concreto e menos abstrato possível na explicação. Para isso, vou convidar você, meu estimado internauta, a viajar um pouco pelo maravilhoso mundo dos ícones!

A palavra ícone pode significar várias coisas. O meu companheiro de trabalho, o mini Aurélio, dicionário escolar de língua portuguesa, define ícone como “símbolo gráfico que representa um objeto pelos traços mais característicos”. Neste tutorial, usarei a palavra ícone com uma referência mais abrangente do que “objetos”, sendo qualquer imagem que represente uma pessoa, local, coisa ou idéia.

Os ícones podem ser separados em categorias. Podem ser imagens que representem idéias e conceitos:

ícones que representam idéias e conceitos

Há os de linguagem, os de ciências e de comunicações, muito práticos para o dia-a-dia das pessoas:

ícones que representam a linguagem, ciência e comunicação

E os ícones que chamamos de figuras, imagens que se assemelham a algo concreto:

figuras de animais

Os ícones não-pictóricos mantêm os seus significados fixos e absolutos, não sendo alterados pela aparência que apresentam, porque representam idéias invisíveis.

Figuras com letras artísticas

As palavras são ícones com total abstração, não tendo nenhuma semelhança com o real. São do tipo que só podem ser entendidos por pessoas que tem um conhecimento prévio do seu significado, ou seja, pessoas alfabetizadas ou letradas, diferentes dos analfabetos. O valor de um ícone pictórico não pode ser substituído por um ícone de linguagem.

Fígura de um rosto com alguns órgãos substituídos por palavras

O que de fato você vê na imagem abaixo?

desenho de um rosto com face neutra

Se mudarmos levemente o traço e acrescentarmos outros podemos representar conceitos diferentes para este ícone.

desenho de um rosto com um sorriso na face

É incrível como a mente consegue transformar uma linha, dois pontos e um círculo num rosto. Estranho se ela não fizesse isso. A língua de sinais coontém palavras que representam algo “pelos traços mais característicos”. Veja o vídeo a seguir com alguns sinais que exemplificam esta idéia.

Consegue-me dizer por ordem que sinais são esses utilizados no vídeo? Se não, veja-o novamente para que seu cérebro tente detectar alguns traços que representam o real, o concreto.

O primeiro sinal, na língua brasileira de sinais, é o “árvore”. É um sinal icônico pelas seguintes características: a mão esquerda com o dorso apoiando o cotovelo direito tem os dedos levemente encurvados para baixo, representando as raízes da árvore. O antebraço direito representa o tronco, enquanto os dedos da mão direita levemente encurvados para cima representam os galhos.

O segundo sinal, “bola”, com as duas mãos se espelhando retratam a forma como uma bola pode ficar envolvida nelas.

O terceiro, “mundo”, também com as mãos se espelhando, envolve o formato do planeta. Diferente do sinal bola, as mãos estão em direção diagonal representando o eixo de inclinação da Terra.

No próximo sinal, “canguru”, não é necessário descrever as características dele. Qualquer um que estiver bem familiarizado com este animal vai perceber o movimento que ele faz bem como as posições das patas. Na seqüência, o sinal “bandeira” percebe-se facilmente suas características icônicas e por fim o sinal “soldado” demonstra a posição ‘sentido’ que eles fazem em submissão a um superior.

Tudo o que você viu até agora sobre ícones, a analogia deles com a língua de sinais, é para te mostrar que o vocabulário que compõe o léxico deste idioma é composto por alguns sinais icônicos. Em outras línguas de sinais também é possível perceber a origem icônica das palavras. Todavia, de um país para outro os sinais variam, não são iguais comparadamente como na língua brasileira de sinais, na língua de sinais americana, na língua de sinais francesa, e entre todas as outras. Cada surdo, no seu lugar, cria o vocabulário de sinais na forma como ele vê as coisas. Cada um vê de forma diferente. É como eu falei no início desta aula. Tem pessoas que podem ver de forma técnica, usando o lado esquerdo do cérebro, tem gente que pode ver usando o lado direito dele. É o jeito de ver de cada pessoa que vai determinar a explicação sobre suas experiências visuais. O próximo vídeo contém mais sinais icônicos para ajudá-lo a familiarizar-se ainda mais com este conceito.

Como pode observar no último vídeo, é bem simples utilizar esses sinais. Se desejar tirar alguma dúvida ou pedir sugestões, envie-me um email no seguinte endereço eletrônico: daniel@legendalibras.com.br.